Missionário na Terra Natal dos seus antepassados

O Missionário Hans Berzins, 45 anos, e sua esposa  Elaine moram na Letônia e parti-

ciparam  em Tallinn da Convenção Batista Estoniana – pedimos a ele que desse uma en-

trevista à Revista “Kuulutajale” – a interprete foi Kristel Luide.

Perg.: Vocês são descendentes de Letos  residentes no Brasil?

Resp.: Eu sou descendente de Letos e minha esposa é brasileira de origem portugue-

sa. Meu pai nasceu na Letônia, bem como, meus avós por parte da  minha  mãe.  E  mi-

nha  mãe  é descendentes de Letos, mas nasceu no Brasil.

No Brasil,  o única língua falada é o português. Em Portugal, fala-se o português de

Portugal, que é diferente do falado no Brasil.  No Brasil, há regionalismos, isto é,  dife-

rentes sotaques e há diferenças de vocabulário de acordo com a região.

Perg.: Por que seus avós foram para o Brasil?

Resp.: Este fato é muito importante. Em 1880, um grupo de Letos decidiu morar no

Brasil.   Em 1919 – 1925,  nesta época, houve  na Letônia um Grande  Movimento  Es-

piritual.

Neste mesmo período,  muitas pessoas de várias partes do mundo foram para o Brasil,  porque lá podia-se comprar “terras” mais em conta  do que na Europa. Da Letônia saí-

ram 2.500 pessoas e destes 90% eram Batistas.

O Pastor principal da Igreja Batista Leta disse que: “ agora é o momento de ir para

o Brasil, porque  Deus  está operando/atuando lá.

Muitos Estonianos,  também, foram para o Brasil. Muitos não se adaptaram e volta-

ram para Estônia.  Como aconteceu com o irmão do meu avô, que voltou para Letônia.

Perg.:  Houve alguma influência dos Batistas Letos e, por  esse  motivo,  decidiram  viajar para o Brasil?

Resp.: Nesta época,  havia no Brasil missionários americanos.  Os Letos chegaram

ao Brasil e iniciaram trabalhos  de evangelização na  cidade  de  Varpa  e  começaram

fundar Igrejas  e, assim começaram ajudar  outras Igrejas para fazerem o mesmo.  Em

1932,  na Colônia da cidade de Varpa, a Igreja Batista Leta  tinha 1.500 membros, era

a maior  Igreja da América Latina.

Hoje, esta Igreja é pequena, em número de membros, comparando-se  com  muitas

Igrejas.  A cidade de Varpa fica a 500 km de São Paulo e 1.000 km do Rio de Janeiro.

Quando os jovens precisam estudar nas Universidades saíam de Varpa, mas não  vol-

tavam mais para morar na cidade de Varpa.  Outros  jovens foram para  o  Canadá  e

para os Estados Unidos. A cidade de Varpa, hoje, não é mais uma Colônia Leta.

Quando os Letos começaram construir Igrejas, o Governo Brasileiro entusiasmou-

se e incentivaram outros imigrantes  a fazer o mesmo nas redondezas da cidade.  Co-

mo, por exemplo,  a  40 km da cidade de Varpa havia uma região só de japoneses  e

estes tinham crenças diversas. Como, os japoneses  que eram budistas e  os  brasilei-

ros eram católicos. E, os Letos evangelizam essas pessoas.

Perg.: Os seus avós eram evangélicos?

Resp.: Meu pai nasceu na Letônia, na cidade de Talsis. Ele tinha 5 anos, quando

seus pais foram para o Brasil.O meu avô e o meu  pai eram comerciantes tanto lá na

Letonia como em Varpa. Depois de 20 anos, meu foi morar em uma cidade a 20 km

de Varpa  e lá abriu uma comércio. Eu nasci nesta nova casa que escolheram morar.

Meus avós,  por parte da família da minha mãe  eram solteiros,  quando  vieram

para o Brasil e lá eles casaram.  Eles trabalhavam,  na verdade, como agricultores e

auxiliavam a Igreja Batista Leta de Varpa. Na minha família sou o primeiro “Pastor”

e “Missionário” e um meu parente, também, é Missionário.

Perg.:  Uma pergunta a parte:  Se mais de 2.000 Batistas saíram da Letonia,  então,

foi uma perda irreparável, na questão de trabalho e, foi muito prejudicial para  aquele  lugar?

Resp.:  A finalidade para deixar a Terra Natal e  viajar para o Brasil foi muito  par-

ticular de cada família.  Muitas Igrejas ficaram vazias.   Sei  de Igrejas,  que todos os  membros  foram para o Brasil.  Em 1922,   a  Igreja  Batista  de  Valmiera  tinha  120

membros e destes 52 membros foram para o Brasil.  A  Igreja  Batista  Césises  tinha,

aproximadamente, 200 membros e,  quase metade destes foram para o Brasil.

Perg.:  Nesse tempo, o Pastor Principal rompeu sozinho a sua aliança?

Resp.:  O que eu  posso dizer sobre isso,  somente  aquilo  que eu tenho lido.  Em

1920 houve uma ruptura. Um Pastor era carismático,  e  um outro era tradicionalmen-

te carismático e foi para o Brasil. Isto não quer dizer que  hoje ,em dia, os Letos  que foram para o Brasil são carismáticos,  ele  são  muito  tradicionais.

Nas Igrejas Batistas da Letonia  fez  muita  falta  a  saída dos Letos para  o  Brasil.

Mas  a chegada  dos Letos  foi uma grande bênção para os Batistas brasileiros.

Os Letos formavam,  aqui no Brasil,  o  3º  maior  grupo  que começou a pregar o

evangelho.  O primeiro grupo foi dos Estados Unidos  e  o outro grupo da Inglaterra.

Estes foram os primeiros  organizadores  das  Missões no Brasil,  mas  só  os  Letos

tinham Igrejas  com muitos membros.

Os Letos  iniciaram, no Brasil,  estudos Teológicos e canto coral. Nos Seminários

Teológicos Brasileiros havia muitos professores Letos,  e  muitos  exerceram  cargos

de destaque. O maior Seminário do Brasil, ficava no Rio de Janeiro.  Este Seminário

foi fundado pelos Americanos, mas foi dirigido, por 8 anos,  por um Leto.

Perg.:  Na Estônia,  conhecemos  somente  por  nome  o Pastor Nilson do Amaral

Fanini,  Presidente  da  Convenção  Batista  Mundial, em 1995 até 2.000 .

Resp.: Ele faleceu há 2 anos atrás. A contrinuição dele foi muito grande.

O Brasil foi descoberto pelos portugueses. Há 130 anos atrás havia, no Brasil, so-

mente católicos. E, em 1870, foram para o Brasil os primeiros  Missionários  Ameri-

canos  e o trabalho deles começou a crescer.  Em 1920,  chegou  ao Brasil um grupo

muito grande de imigrantes . Isto fez com que o evangelho,  no Brasil,  tivesse  uma

grande abertura.

De 40 a 50 anos atrás, aconteceu algo inusitável, não importava a origem das pes-

soas  e,  agora,  também  não  há  diferença  nenhuma  com  relação aos membros da

Igreja. Quando criança não lembro de ter conhecido nenhuma pessoa  de  origem  ja-

ponesa que fosse Batista,  agora há nas  Igrejas uma variedade de nações, como  por-  tugueses também.

Perg.: Por que vocês foram enviados para a Letônia ?

Resp.: Estamos aqui pelo seguinte motivo, os Batistas Brasileiros sentem que há

uma dívida a ser paga para com os Letos Batistas, aqui da Letônia e os Letos do Bra- sentem isso também.

Nós coordenamos o Trabalho Missionário dos Países Bálticos e da Polônia.  Sus-

tentamos  um  Pastor  Missionário  na  Estônia,  três  na Letônia  e  dois  na Lituânia,

bem como  oito na Polônia. Eu não sei qual a porcentagem  geral por países.

Sobretudo queremos orientar e sustentar aqueles que tem o chamado  de Deus pa-

ra organizar e fundar Igrejas. Na Letônia, fazemos isso através  da Junta de  Missões

Mundiais. Estes é um dos mais importantes “Projetos” dos quais  a  Liderança  Batis-

ta realiza. Nós fazemos um trabalho em conjunto com a Liderança  Leta,  não apenas

para sustentá-los financeiramente,  mas nas decisões a serem  tomadas  e  na  orienta-

ção do ensino. Este é  um “Projeto” dos  Letos,  que a Junta de Missões sustenta.  Se-

ria muito difícil mandar um Missionário, do Brasil, para a Europa e,  até, ele se adap-

tar e aprender o idioma  levaria  muito tempo.

Perg,: Vocês não sentem frio na Letônia ?

Resp.: Nós já moramos na Letônia há algum tempo. O clima é um dos problema, o

outro é a Cultura e, o que é mais difícil, é a língua O Brasil é um país muito grande  e,

lá falamos, somente, o português. No Brasil,  viaja-se quatro ou cinco horas  de  avião   e,  mesmo assim, você continua no mesmo país, e  falando,  sempre, a  mesma  língua.

Aqui, na Europa, você viaja uma hora e,  já, está em outro pais e  falando outra língua.

A organização que nos enviou para cá,  o  regulamento deles é muito claro,  que  o

tempo dos Missionários para aprender  a Cultura do país local, e  a língua,  bem como,

o local onde morar e a sua adaptação neste país, você deve sanar isso no primeiro ano.

Minha esposa sabia falar,  somente, o português mas,  agora,  já fala bem,  também,

a língua leta. Nossos filhos freqüentam a escola leta.No começo, tinham muita dificul-

dade. Agora, minha filha tem 15 anos e meu filho 11 anos.  Ele, já, fala bem e ela fala  muito bem a língua leta.

Perg.: Gostaríamos que irmão falasse, como é  o seu trabalho?

Resp.: No começo do ano passado,  todas as quartas feiras, reuníamos um pequeno

grupo de 12 a 14 pessoas, em nossa casa. Queremos aumentar o grupo  e  distribuí-los

em grupos menores.

O trabalho missionário são dois, de modo geral, nós perdemos  um pessoa que sai

para missões e, ao mesmo tempo ganhamos, quando enviamos  alguém  para  realizar

trabalho missionário. É preciso enviar missionários  para todas as Igrejas.  As  Igrejas

precisam perdem Pastores e Missionários para  ganhá-los de volta. Quando você  con-

tribui para o trabalho missionário, por exemplo, você” não” ganha o dinheiro de volta mas, certamente, ganha em bênçãos. As Igrejas  precisam enviar  Pastores e Missioná-

rios  para o  Trabalho de Evangelização crescer.   Como foi o  Movimento  Espiritual,  em 1920 na Letônia. As Igrejas da Letônia perderam muitos membros, com saída dos

dos Letos para o Brasil, mas o brasileiros  ganharam com isso.  Quando nós enviamos

Pastores e Missionários para o Trabalho de evangelização, então Deus retribui.

Queremos construir, em Riias, uma nova Igreja, naturalmente, auxiliado pela Con-

venção Batista Leta.  E, há três anos atrás, construímos um Seminário, na Letônia, on- de ensina-se Teologia para os novos Pastores.

Perg.: Vocês vieram para a Letônia para a vida toda?

Resp.:  Nós não temos intenção  de  voltar,  tão já,  para o Brasil,  só daqui  algum tempo. De acordo com a  nossa  Organização,  que  tem  regulamentos  e,  nós somos

enviados por um longo tempo, de 10 a 20 anos.

Hebreus 11: 14 a 16

Täname!   Agradecemos!

14 November 2009  – Tallinnas