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Tallinn, uma das capitais culturais europeias de 2011

Tallinn, capital da Estônia, começa o ano em clima de festa. A cidade no litoral do Mar Báltico comemora o 20 aniversário da sua independência e a separação da União Soviética, e é, pela primeira vez, capital cultural da Europa. Com um programa de mais de 200 eventos, Tallinn, que passou a maior parte da sua História, desde que foi fundada no século XIV, ocupada por potências estrangeiras, é hoje um ponto de ligação entre o Norte e o Centro, o Leste e o Oeste da Europa. Ela vai dividir o título de capital cultural com Turku, na Finlândia, também marcada pela proximidade com a Rússia, e a 200 quilômetros da companheira estoniana.

O passado de ocupações pode ser reconhecido na arquitetura do Centro de Tallinn, com castelos e casarões dos séculos XIV e XV que sobreviveram às guerras de ocupação. As 46 torres que faziam parte do muro que tentava proteger a cidade de invasões são, em todo o verão, um ponto muito visitado por turistas.

Poucas cidades cultivam de forma tão intensa o seu passado medieval quanto Tallinn. Em junho, há o Festival Medieval, com a apresentações de trovadores e menestréis em trajes da época. Até um restaurante, Olde Hansa, oferece pratos feitos com receitas daquele período, quando a cidade usava o nome alemão de Reval.

As ruas da Cidade Velha, tombada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, foram construídas entre 1238 e 1346. Nelas, ainda há muitos dos casarões erguidos na Idade Média por aristocratas e comerciantes alemães. A principal relíquia arquitetônica de Tallinn é o prédio da prefeitura, única em estilo gótico no Norte da Europa que foi inteiramente preservada e é hoje o orgulho da população. O prédio foi mencionado pela primeira vez em 1322, e ganhou sua fachada atual numa reforma no século XV. A praça da prefeitura, é, há 800 anos, o coração da cidade, dizem os estonianos. No domingo e nos feriados, fica lotada.

Passado de dominação russa ainda presente

Além da Cidade Velha, inteiramente restaurada para as comemorações do ano de capital cultural, relíquias medievais podem ser vistas nos bairros de Kadriorg e Pirita, onde ficam as ruínas do mosteiro medieval de Santa Brígida. Outro marco de Tallinn é a catedral Aleksander Nevski, o prédio mais fotografado da cidade. Foi construída entre 1894 e 1900, por ordem do czar Alexandre III.

Não muito distante do mosteiro, há o castelo barroco de Kadriorg, erguido durante a dominação russa, quando a família do czar costumava usar Tallinn como cidade de veraneio. Nessa época, a capital da Estônia era, no verão, um ponto de encontro da aristocracia russa.

Até 1710, quando a cidade passou a ser parte do território russo depois de anexada pelo czar Pedro, o Grande, Tallinn fez parte da Dinamarca, da Alemanha e da Suécia. Com a Revolução Russa em 1917, a Estônia passou a ser uma república soviética. A era sob o domínio russo teve uma pequena pausa de três anos, no início dos anos 1940, quando a Estônia passou a ser ocupada pelos nazistas, consequência do pacto de não-agressão entre Hitler e Stalin.Tallinn, capital da Estônia, uma das capitais culturais europeias de 2011: história de dominação por outros povos / Divulgação

embora cerca de 40% da população da Tallinn, (49,5% são estonianos, 4,3% ucranianos e 1,2% bielorrussos) sejam de origem russa, a cidade, bem como os 1,3 milhão de estonianos, têm ainda os seus problemas com a Rússia. Muitos não esqueceram os anos de Gulag, da punição da dissidência com os campos de trabalhos forçados na Sibéria. Outros, como o compositor Arvo Pärt, nascido em 1935, que viveu os últimos dez anos de regime comunista na sua pátria exilado na então Berlim Ocidental, veem o capítulo como encerrado, apesar dos transtornos causados. Pärt compôs uma obra para orquestra especialmente para o ano de capital cultural, que será executada durante 2011.

As relações com a Rússia são difíceis, mas a separação da União Soviética foi pacífica e musical. Já nos anos 80, os estonianos aproveitaram a perestroika de Mikhail Gorbatchov para expressar as suas reivindicações pela música. É assim que os protestos que levaram à independência entraram para a história como a Revolução do Canto.

Enquanto outros países do Leste da Europa sofrem com a crise econômica, a Estônia conseguiu fortalecer a sua economia e é o segundo país do antigo bloco do Leste, depois da Eslovênia, a entrar na zona do euro, moeda que começa a circular no país neste sábado, 1 de janeiro.

Na cidade de 400 mil habitantes, os festivais de música são um programa para o ano inteiro. Quando a temperatura ainda está baixa, em abril, há shows no Pavilhão de Concertos da Estônia, na Academia de Artes e no Café Amigo, com o Festival Internacional de Jazz. Em junho, Tallinn volta ao passado com o Festival Medieval: na noite de 24 de junho, dia de São João, a população comemora até a madrugada com festas de ruas. No mês seguinte, há o Festival do Canto, com apresentação de corais e grupos de dança. É um dos mais tradicionais da Europa, e faz parte da lista de patrimônios culturais protegidos pela Unesco. Em agosto, as ruínas do antigo Mosteiro de Santa Brígida abrigam um festival de música e teatro. Em setembro, a música é o pano de fundo para o festival de design Arts and Lights. De novembro a dezembro, concertos são realizados nas igrejas.

Ruether, correspondente

Outras informações: A programação de Tallinn está em www.tallinn2011.ee

fonte: http://moglobo.globo.com/integra.asp?txtUrl=/viagem/mat/2010/12/29/tallinn-na-estonia-turku-na-finlandia-fazem-festa-como-capitais-culturais-europeias-d.

acessdo em 08/01/2011

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Euro, moeda oficial

A Estônia, que sai de maneira exemplar de uma profunda recessão, adotará a partir da meia-noite deste 1º de janeiro a moeda única europeia, apesar de a zona do euro passar pela pior crise desde sua criação em 1999, em consequência da dívida soberana significativa de muitos países membros.

O país báltico, de 1,3 milhão de habitantes, membro desde 2004 da União Europeia (UE, de 27 membros), será a partir de 1º de janeiro o 17º integrante da zona do euro. Também será o terceiro antigo Estado comunista a adotar a moeda, depois de Eslovênia em 2007 e da Eslováquia em 2009.

Porém, no restante do antigo bloco comunista, os governos não estão tão confiantes. Polônia, Hungria e outros membros da União Europeia no Leste Europeu e na Europa Central prometeram juntar-se à zona do euro um dia, mas não estão com pressa. A crise de dívida pôs fim à ideia de que ser um membro da zona do euro garantiria custos de financiamento menores para o Estado.

O comissário europeu para Assuntos Econômico e Monetários, Olli Rehn, e os primeiros-ministros da Letônia e da Lituânia se reuniram nesta sexta-feira em Tallinn, capital estoniana, para saudar a entrada da Estônia na zona do euro a partir de meia-noite.

Segundo as pesquisas, quase metade dos estonianos aprovam a adoção do euro em substituição à coroa, moeda nacional criada em 1992 para suceder ao rublo soviético, depois de cinco décadas de dominação de Moscou.

O governo de centro-direita da Estônia, que aplicava uma política econômica rigorosa antes da crise mundial, considera que a mudança para o euro é vantajosa e constitui uma fase lógica para uma pequena economia aberta ao mundo. “O Fundo Monetário Internacional (FMI) indica que a troca para o euro deverá acelerar o crescimento entre 0,15% e 1% ao ano, ao longo das próximas duas décadas”, declarou o ministro estoniano da Economia, Juhan Parts.

“Oitenta por cento de nosso comércio exterior é realizado dentro da UE. O mercado comum é vantajoso para todos nós, com os empresários estonianos podendo vender seus produtos mais facilmente, criando empregos”, completou ele.

A Estônia, chamada de “tigre do Báltico” pela rápida passagem de uma economia centralizada à de mercado e por seu forte crescimento, já havia tentado fazer parte da zona euro em 2007, mas foi impedida pela inflação elevada.

A economia do país registrou em 2009 uma recessão de 14,1% – uma das maiores do mundo – em consequência da crise global, mas a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é de 2,5% para 2010 e de 3,9% para 2011.

Com a integração da Estônia, a zona do euro passará a ter 330 milhões de habitantes. Segundo a agência europeia de estatísticas Eurostat, no ano passado a zona euro teve um PIB de nove trilhões de euros (US$ 11,8 trilhões), inferior ao dos Estados Unidos, mas acima do resultado de China e Japão.

Algumas pessoas, no entanto, questionam a adesão ao euro, como Anti Poolamets, líder de um pequeno partido político. “Durante os 48 anos em que a Estônia passou na zona rublo, nosso poder de decisão era praticamente nulo e na zona do euro será igual”, disse Poolamets.

Os países da UE se comprometeram com o Pacto de Estabilidade e de Crescimento de Maastricht a limitar o nível de inflação, os déficits públicos e as dívidas. Mas as finanças de muitos países derrapou com a crise financeira, o que criou desconfiança nos mercados financeiros em relação aos países mais frágeis. UE e FMI se viram obrigados a ajudar Grécia e Irlanda, enquanto Portugal e Espanha tentam evitar este recurso com planos de ajuste.

O primeiro-ministro estoniano, Andrus Ansip, insiste, no entanto, em que a adesão à zona euro trará estabilidade e acabará com as especulações sobre a desvalorização da coroa.

“A Estônia terá uma moeda reconhecida internacionalmente. Não teremos mais que justificar seu valor”, afirmou o empresário Andrews Soosaar, 54 anos.

Com informações da AP e Reuters

fonte:http://not.economia.terra.com.br/noticias/

acessado em : 03/01/2011